Os índices da pobreza em Moçambique crescem a cada dia que passa. Moçambique ocupa a segunda posição entre os países mais pobres do mundo, segundo um relatório recente do Banco Mundial.

Em entrevista a um dos canais televisivos nacionais, o economista moçambicano Roberto Tibana defendeu que o país precisa crescer rapidamente.
Durante a entrevista, Roberto Tibana afirmou que a pobreza em Moçambique tem raízes históricas. Recordou que, no passado, o país passou por processos de privatização que levaram milhares de pessoas ao desemprego, além de uma acentuada desindustrialização que também contribuiu para a perda de postos de trabalho.
A guerra civil, também provocou igualmente a destruição de grande parte da capacidade produtiva nacional. Segundo o economista, foi apenas a partir de 1995 que o país iniciou um processo mais consistente de reconstrução.
Roberto Tibana apontou para um dos primeiros grandes investimentos da Mozal rondou os 1,2 mil milhões de dólares e criou cerca de 1.500 empregos directos e aproximadamente 2.000 indirectos. No mesmo período, foram investidos cerca de 300 milhões de dólares na reabilitação das açucareiras, um processo que gerou entre 17 mil e 20 mil postos de trabalho. Por um lado, a desindustrialização da indústria do caju provocou cerca de 20 mil desempregados, sendo que, segundo o economista, a Mozal não chegou a criar metade dos empregos que anteriormente eram assegurados pelas indústrias do açúcar e do caju.
Por outro lado, “stock” de pobreza foi ainda agravado pelo escândalo das dívidas ocultas. Entre 2016 e a actualidade, cerca de 20 milhões de moçambicanos entraram na linha da pobreza, facto que, na sua opinião, ajuda a justificar as conclusões do relatório do Banco Mundial.
O economista acrescentou ainda que, apesar de alguns investimentos registados nas últimas décadas, o país infelizmente não conseguiu criar empregos em massa, um factor essencial para reduzir os níveis de pobreza.
Tibane referiu ainda o caso da indústria do carvão em Tete e salienta que, no período imediatamente após a independência, a utilização de mão-de-obra era mais intensiva do que actualmente.
Questionado sobre como é possível existirem milionários num dos países mais pobres do mundo, Tibana respondeu que a concentração de riqueza não é um fenómeno novo. Segundo explicou, mesmo durante a guerra civil e em períodos de calamidades, houve sempre pessoas que enriqueceram.
Para concluir, o economista defendeu que Moçambique precisa de crescer a um ritmo muito mais acelerado. Na sua perspectiva, a taxa de crescimento económico deveria situar-se na ordem dos 10% ao ano durante os próximos 25 a 30 anos.
Fonte: TVSucesso



